Pingos de Chuva

Pedrinhas de chuva

quicam no jardim.

Gotinhas de chuva

pingam no coração.

Onde estarás minha irmã?

Em meio o vento frio,

risos de alegria,

sinto sua mão.

(Terumi Oshiro)

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No meio do caminho tinha uma poça d`agua

(Parafraseando com Carlos Drummond)

No meio do caminho tinha uma poça d`agua.
No meio do caminho tinha uma menina.
No meio do caminho tinha uma risada.

No meio caminho tinha gotinhas de chuva.
No meio caminho tinha botinhas de plástico.
No meio caminho tinha capinha de chuva.

No meu caminho existem perguntas,
Por que me irrito nos dias de chuva?
Não posso brincar com as pocinhas de chuva?

(Terumi Oshiro)

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2012: “Mar de Rosas”

“Te, cada dia que amanhece, é um dia de decisão. Hoje, eu desejo ver as pessoas e o mundo como se fosse uma rosa.

Quando a gente vê um jardim florido, primeiro, a gente não corre o olhar nas flores – na beleza das rosas, sente o perfume, a cor -, para depois, descer o olhar para os espinhos, não é assim?

Então, por que na vida, a gente tem que ver diferente?

Por que temos que ressaltar os defeitos das pessoas, ao invés de ver as qualidades?

É claro que, eu tenho que ver a rosa como um todo. Saber que ela tem o lado bonito, e que os espinhos são sua proteção. Na vida, os nossos espinhos são formados pelo medo. Na intenção de protegermos, o que temos de mais belo dentro de nós, criamos os espinhos. Então, eu entendo que a gente tem procurar ver os espinhos das pessoas, em um segundo plano, de cima para baixo, de longe…

Eu devo enxergar os espinhos?

Sim!

Porém, somente, depois, que eu tiver admirado todas as qualidades da rosa (pessoa).”

Foi com esse papo filosófico, que começou o meu último dia de 2011. Decidi registrá-lo aqui, pois, na hora que eu ouvi essa metáfora, a minha imaginação foi longe. Como final de ano – é tempo de “fechar para balanço” -, na hora, eu pensei na seguinte hipótese:

“Uhummm… Então, por que eu devo terminar o ano de 2011, lembrando dos dias ruins (difíceis), se posso registrá-lo a partir dos dias (momentos) felizes?”    

Assim, provoco você – querido(a) amigo(a) – a adotar com carinho o meu questionamento.

O meu desejo é que, no ano de 2012, contrariando o ditado popular, você escolha viver e ver, a vida como se fosse um “mar de rosas” – sem a presença dos espinhos, é lógico. (risos)

Muita paz, amor, saúde, fé, sabedoria e esperança.

Que venha 2012!!!!!!

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Papel de PAI

PAI, personagem masculino,
imprescindível na vida.
Protagonista da cena,
contracena com Deus,
o papel de PAI.

Diante do tablado vazio,
interpreta o valor do silêncio…
Criatura, em cena,
ensina no palco.

Como diretor da peça,
coordena atuAções (filhos).
E no teatro iluminado,
celebra a vida.

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Minha Face Japonesa

No banco ao lado,

observo olhos puxados.

Por trás dos óculos,

Nihonjin* posou.

 

Pernas semiflexionadas,

postura de samurai,

Ojisan* sonhou.

Penso, repenso,

burajirujin*, eu sou.

*Notas da poesia:

  • Nihonjin: Pessoa nascida no Japão. Sendo que,  Nihon=Japão e jin=pessoa.
  • Ojisan: Tio ou homem de meia idade.
  • Burajirujin: brasileiro(a).
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Santa Inocência

Primeiro de junho, quinta-feira, neste dia por conta de algumas atividades extras, saí da rotina. Sem me dar conta ao longo do dia, entrei em contato com várias crianças. Criaturinhas, que acabaram me tirando da minha zona de conforto. Na parte da manhã, assim que abri a minha caixa de e-mails, fui provocada, inconscientemente, a pensar nas crianças que conheço.

Após ler a mensagem, por volta das 9horas, saí de casa. O sol timidamente começava a se levantar. Porém, só iluminava a rua e as pessoas. Não sei exatamente, quantos graus os termômetros registravam. Acredito que uns 10°C. Sendo que ao acordar, vi no noticiário que a cidade amanheceu com 7°C. Para me proteger do fio usava dois casacos – um de lã, e outro tipo, segunda pele. Fora os agasalhos, tinha o bendito do cachecol. Acessório, que tive de aprender a usar, nesses últimos anos, por conta dos invernos de Curitiba. Até hoje dou risadas, quando me lembro do meu processo de adaptação, a mudança de Campo Grande (MS), onde a média de temperatura é de 30°C, para a capital paranaense. No começo, a minha “santa ignorância”, fazia-me acreditar que este objeto, era apenas um enfeite. Sem contar, que preferia continuar acreditando na teoria. Pois, sentia-me sufocada cada vez, que colocava um pedaço de pano na região do pescoço. Precisei pegar várias gripes e dores de garganta, até me dar conta da função do acessório. Esse fato me faz lembrar uma frase célebre, que a minha mãe diz:

“Cabeça que não pensa; corpo que padece”.

Bom, voltando ao episódio que deu origem a essa crônica… Resumidamente, tinha que passar na casa de um amigo, que fica na região do bairro Portão, para pegar um HD externo (equipamento, que tem a função semelhante a um pen-drive) emprestado, e de lá, seguir até um estúdio fotográfico, no bairro Sitio Cercado.

Durante o trajeto, quase chegando ao estúdio, sentada próxima a porta 4 de um ônibus biarticulado (veículo com três vagões, unidos por uma sanfona), fui surpreendida com a entrada triunfal de uma mulher mal humorada. Ela reclamava da vida, em alto e bom som. Enquanto arrastava pelos braços dois filhos. O mais velho deveria de ter quase sete anos, e o mais novo, menos de dois anos.

Comovidos pela “delicadeza” da senhora – que estava com o rosto suado e vermelho – dois passageiros ofereceram os seus assentos, para que ela se acomodasse com os meninos. Porém, ríspida, a mulher respondeu da seguinte forma:

“Não, não! Podem ficar aí.”

Depois da cena, eu que estava sentada em um assento individual, decidi levantar. Pois, estava próximo ao tubo (ponto de ônibus) que iria descer. Ao caminhar até a porta, esbarro com a “simpática” mulher. Então, timidamente, decido lhe oferecer o banco. Sem graça, ela acaba aceitando o convite. Depois, mais vermelha ainda, ela ficou ao colocar o filho mais novo no colo.

“Que linda a paisagem!”, exclama o menino, ao avistar do outro lado da rua, uma loja de carro e um estacionamento.

A mãe ao perceber os risos sufocados da pequena platéia – pessoas que estavam ao redor – retruca novamente. Agora, direcionando o comentário ao filho mais velho.

“Esse menino fala cada coisa! Aff… Não sei de onde ele tira essas coisas…”

Desço do ônibus rindo sozinha, com a sacada do menino. Afinal de contas, de forma inocente, ele acabou dando uma lição nos adultos. Nessa altura do campeonato, nem me importava, a repentina troca de temperatura. Como narrei anteriormente, saí de casa super agasalhada. E ao descer do ônibus, meu organismo foi obrigado a assimilar os raios do sol, e a temperatura de aproximadamente 23°C.

Por volta do meio dia, chego ao estúdio, e logo na recepção sou surpreendida com o filho do cinegrafista, de seis anos. Até então, este seria o meu segundo contato com o menino. Assim que o cumprimento, ele fica ansioso para conversar comigo, que mal conseguia terminar de almoçar. Sou “obrigada” a acompanhá-lo na mesa, e acabo beliscando alguns alimentos. A carência por atenção do menino era tamanha, que ele mal me deixava conversar com os demais adultos.

Depois do almoço, enquanto os vídeos eram transportados do computador para o HD, decido acompanhá-lo nas brincadeiras. Em cima de um skate, o menino realizou várias manobras radicais, e fazia questão de se chocar contra a parede da garagem. Passaram-se uns 20 minutos de pura gritaria, até que a mãe o chamou para se arrumar, e ir para escola. Talvez, a euforia de voltar a brincar, fez com que ele, levasse alguns safanões.

Nessa hora, só escuto os choros, então, decido entrar no estúdio para ver o andamento dos downloads dos vídeos. De repente, na porta do estúdio, dou de cara com o menino – que tem cabelo e nome de anjo, mas, que de anjo não tem nada -, com o rosto molhado de lágrimas.

“Por que você está chorando?”, pergunto eu.

“A minha me bateu. Eu estava fazendo uma arte.”, soluça ao responder. 

Assim que, ele mal termina de se explicar, e em um piscar de olhos, sua fisionomia muda. Como se acabasse de ter um insight (inspiração), o menino me dirige a palavra.

“Tia, tia… Vamos brinca de novo?”, pergunta o menino gaguejando, e enxugando o rosto com as mãos.

À noite, antes de dormi, conto essas experiências para a minha irmã. E com uma simples frase, ela fecha com chave de ouro o meu dia.

“É, temos muito que apreender com as crianças. Por isso, que dizem que temos que a personalidade semelhante delas. Elas não perdem tempo chorando. Não ficam remoendo a raiva. Quebram a cara, caem, e logo se levantam para brincar. Como se nada tivesse acontecido…”

(Terumi Oshiro)

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Inverno

No frio poupo luzes,
Girassol, eu sou.
Para na primavera
despertar o ser,
amar e transparecer.
(Terumi Oshiro)

 
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